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EQUIPE DE TAQUIGRAFIA E REVISÃO - SGP.41
NOTAS TAQUIGRÁFICAS
AUDIÊNCIA PUBLICA DATA: 28/04/2026
 
2026-04-28 21748 Audiência Pública

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Presente o Vereador Nabil Bonduki, Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. Na qualidade de Presidente da Comissão, declaro abertos os trabalhos da 5ª Audiência Pública de 2026, tendo como tema Mobilidade Urbana e o Transporte Coletivo na Estrada de M’ Boi Mirim.

Informo que esta audiência pública está sendo transmitida pelo Portal da Câmara Municipal de São Paulo, no endereço www.saopaulo.sp.leg.br link auditório on-line .

O convite para esta audiência pública vem sendo publicado no Diário Oficial da Cidade desde o dia 16/04/2026.

Informo que haverá inscrição para o público presente, que está sendo feita na mesa, ao lado esquerdo de vocês. As inscrições estão abertas. Cada orador terá 3 minutos para falar, com exceção dos membros da Mesa, que terão um tempo um pouco maior, o qual vamos determinar de acordo com o número de presentes.

Foram convidadas para esta audiência pública os Srs: Secretário Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira. Está presente ou tem algum representante? (Pausa) Ausente; Secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras – SIURB, Marcos Monteiro ou representante. Está presente. (Pausa) Ausente; Presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges ou representante? (Pausa)

Por favor pode se identificar.

O SR. MARCELO – Marcelo, Assessor da Secretaria de Transportes, com com o Sr. João Boné, Assessor Técnico.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado. Sra. Flávia Aparecida Silva Santos, Subprefeita da Subprefeitura de M’Boi Mirim. Algum representante da Subprefeitura? (Pausa) Ausente; Representante do Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento ITDP Brasil, Sra. Ana Nassar; Representante do Movimento S.O.S Transporte M’ Boi Mirim: Geraldo Araujo, Jaílson Silva e Nathalia Boulos; Representante do Coletivo Fundão de M’Boi Mirim. (Pausa); Representante do Movimento Fórum Viva Fundão. (Pausa); Tiago Von Zeidler Gomes, Consultor em Planejamento de Transporte e Mestre em Planejamento Urbano e Gestão do Território pela UFABC. (Pausa) Ausente.

Pergunto se algum outro Parlamentar está presente. Deputados Estaduais?

A Vereadora Renata Falzoni está em trânsito e deve chegar em seguida.

Em primeiro lugar, queria declarar os objetivos desta audiência pública, que foi convocada ou teve sua convocação proposta pela Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, a partir de dois requerimentos apresentados por mim, Nabil Bonduki, e pela Vereadora Renata Falzoni, com o objetivo de debater o corredor de ônibus da M’Boi Mirim.

Entendemos ser absolutamente importante que o corredor de ônibus seja implantado na região, dentro da proposta de duplicação da avenida M’Boi Mirim, que é absolutamente fundamental.

Esse requerimento surgiu em função de termos recebido a notícia de uma reunião realizada aqui no dia 28 de fevereiro, em que a Prefeitura anunciou que excluiria o corredor de ônibus à esquerda do projeto da avenida M’Boi Mirim. Isso foi confirmado por algumas matérias da imprensa depois.

Em função disso, a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara, considerando a importância da mobilidade e as dificuldades existentes para as pessoas do Fundão do M’Boi Mirim chegarem ao trabalho, levando duas, três horas, entendeu que era absolutamente fundamental que esse corredor de ônibus fosse feito.

Felizmente, hoje, recebemos a notícia, no mesmo dia da audiência – está aqui neste panfletinho distribuído pela Prefeitura e saiu em vários veículos de imprensa hoje –, que a Prefeitura reviu aquela posição e estaria, então, apresentando o projeto com o corredor de ônibus.

Entendo que isso é muito importante. É uma vitória desta mobilização, deste movimento, e esperamos que os representantes, principalmente da Secretaria de Infraestrutura -SIURB, possam estar aqui para que tenhamos mais detalhes sobre este projeto, como o prazo de início das obras e todo o processo de apropriação que precisa ser feito.

Existem muitos outros esclarecimentos que precisamos ter sobre este projeto anunciado, que é uma revisão daquilo que havia sido feito em 28 de fevereiro e apresentado à comunidade.

Abro esta audiência pública otimista em relação à revisão da posição anterior da Prefeitura.

Vamos, então, dar andamento aos nossos trabalhos.

Em primeiro lugar, chamarei a Ana Nassar, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, que apresentará, do ponto de vista técnico, a importância desta obra que será feita no M’Boi Mirim.

Ana, você tem a palavra. Obrigado.

A SRA. ANA NASSAR – Boa noite a todas e todos.

Primeiro, quero parabenizar, desde já, a mobilização de todos os envolvidos neste projeto e também estou otimista de que ele seguirá adiante, ainda mais com o anúncio feito hoje.

Eu trabalho para o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, que atua em cidades de várias partes do mundo com políticas de transporte público e, também, transportes ativos, que é o que chamamos de mobilidade por bicicleta e mobilidade a pé.

Vou trazer um pouquinho da importância do transporte público e deste projeto que estamos tratando na região.

Primeiro, começo dizendo que o transporte público é muito mais do que uma forma de ir e vir de um lugar para o outro; é uma parte vital das cidades, dos bairros e conecta as pessoas aos empregos, aos equipamentos públicos, às oportunidades de educação e lazer. Então, é muito mais do que se deslocar de um ponto A para um ponto B.

Na maior parte das cidades do mundo, o transporte público, tanto o transporte formal como o informal, representa a maior parte das viagens feitas. Os resultados da Pesquisa Origem e Destino do Metrô de 2023 revelam que o transporte coletivo na região metropolitana de São Paulo representa 48,8% das viagens. Então, se queremos priorizar os investimentos e as políticas, isso tem de ser para o modo de transporte que mais leva as pessoas de um lado para o outro.

Apesar de todos esses benefícios reconhecidos, o transporte público tem enfrentado uma série de desafios nos últimos anos: observamos que o número de passageiros tem diminuído, os investimentos em infraestrutura de transporte são menores do que precisamos e, também, a qualidade dos serviços não acompanha as necessidades urbanas, o que leva, em muitos casos, à migração para o transporte individual, seja o carro, seja a motocicleta. No caso da motocicleta, também observamos um grande problema de segurança viária, um crescimento de óbitos associados ao uso da motocicleta.

De fato, observamos que não há uma priorização do transporte público, seja do ponto de vista das políticas ou do orçamento.

Para construir sistemas de transporte público bem-sucedidos, precisamos entender o que eles são e por que são tão importantes.

O transporte público é uma forma eficiente e equitativa de mover grandes quantidades de pessoas em ambientes urbanos densos. Ele tem que estar disponível e acessível para a população e tem que operar em rotas e horários fixos para maximizar o uso do espaço viário e reduzir os congestionamentos, o tempo que as pessoas gastam se deslocando e o consumo de energia.

Hoje vemos, cada vez mais, uma discussão sobre a crise climática. O setor que mais contribui para as emissões que geram as mudanças climáticas nas cidades é o setor de transporte.

Cidades bem planejadas, com transporte público integrado e opções de mobilidade a pé e por bicicleta ajudam a criar áreas urbanas compactas, conectadas e vibrantes. Essas cidades permitem, então, que as pessoas gastem mais tempo com suas famílias e suas escolhas, em termos de educação e lazer, do que dentro de um transporte lotado, sem uma opção melhor e de qualidade.

O que faz um transporte público ser bom? Há algumas qualidades e atributos. É um transporte público que serve para todas as pessoas, isto é, que permita que todos os usuários – mulheres, homens, crianças, idosos – possam viajar com segurança, dignidade e facilidade. É um transporte público que oferece um bom serviço: frequente, rápido, confiável e que permita que as pessoas possam se deslocar diariamente.

Hoje – com a crise climática que acabei de mencionar – é, também, um transporte com baixas emissões ou, se possível, emissões zero. Em algumas áreas da cidade já há ônibus elétricos, que são melhores não somente em termos de emissões, mas de poluentes locais, pois são mais silenciosos e oferecem uma experiência melhor para as pessoas que os usam.

O que também faz um bom transporte público é um transporte público bem gerido, ou seja, parte de instituições sólidas, com funções claras. Pensando na cidade de São Paulo, a coordenação metropolitana é fundamental para que esse transporte funcione bem, quer dizer, os municípios precisam dialogar entre si e com o Governo Estadual, senão isso não acontece.

Não há soluções padronizadas. As soluções precisam ser pensadas com base em cada situação. Então, o projeto que estamos discutindo hoje não foi tirado da cartola; foram feitos estudos de viabilidade técnico-operacional, bem como consultas à população. Então, esse planejamento precisa ser seguido e precisamos avançar na sua implementação.

Quando o transporte público é negligenciado, há um transporte ineficiente e pouco confiável. Isso aprofunda ainda mais as desigualdades e a dependência do transporte individual, da qual queremos sair.

Ainda, quando falamos em transporte público bom, estamos falando de uma rede bem conectada. Queremos que o serviço de transporte atinja mais áreas da cidade para que as pessoas possam acessar as oportunidades com menos tempo de viagem.

Também, estamos falando de uma boa rede de serviços. Como falei, precisamos de um serviço frequente. Isso significa o veículo chegar a qualquer parada, em poucos minutos, de forma consistente ao longo do dia, incluindo à noite e no fim de semana. Assim, quando saio de casa, sei que haverá aquele transporte e a que horas ele vai passar. Posso confiar naquela opção.

Isso reduz o tempo de espera das pessoas no ponto de ônibus, facilita as transferências, evita aglomerações. Então, é importante que haja uma comunicação frequente sobre os horários dos serviços para tornar isso mais conveniente para as pessoas.

Além de um serviço frequente, precisamos de um serviço confiável. Os veículos precisam chegar quando esperado, seguindo intervalos regulares e os horários divulgados. Quando a confiabilidade é baixa, os veículos podem se aglomerar, levar a longos intervalos e, também, a viagens superlotadas. Quando o serviço não é confiável, as pessoas correm o risco de perder conexões e de se atrasar para compromissos. Então, é fundamental que ele seja confiável.

Por fim, é fundamental que o serviço seja rápido. Isso significa que os veículos de transporte público têm que manter velocidades consistentes ao longo das rotas e minimizar o tempo perdido no trânsito. Contudo, um ônibus, no tráfego misto, junto a outros automóveis, não vai manter essa velocidade consistente, de modo que um ônibus que leva muito mais gente do que um automóvel individual está competindo de forma completamente desigual no espaço.

Então, acho importante dizer que precisamos avançar em priorização viária. Quando falamos dos corredores deste projeto é justamente disso que estamos falando. Assim, a última parte da minha fala é para falar por que avançar na priorização viária dos sistemas de transporte público como estamos falando neste projeto.

Existe no Brasil, desde 2012, uma política nacional de mobilidade urbana. Então – de novo – não estamos tirando este projeto da cartola, do nada. Existe uma política que prioriza o transporte público, a mobilidade por bicicleta, a mobilidade a pé. Essa política estabelece que os municípios precisam desenhar os seus planos de mobilidade, e este projeto está inserido dentro desse plano de mobilidade.

A democratização do uso das vias é uma das principais medidas para prover essa mobilidade urbana universal. No caso dos ônibus, uma medida de qualificação de rápida implantação e baixo custo são esses corredores centrais. Então, não estamos falando de uma medida altamente custosa e complexa. Ela passa, também, por muita vontade política.

O que são, então, essas medidas de priorização viária? São intervenções físicas no sistema viário que, com algumas medidas operacionais, possibilitam a destinação de vias para a circulação de ônibus de forma exclusiva, que é o que queremos que haja aqui.

A decisão de como esses corredores serão feitos depende de população, porte da cidade e densidade urbana; mas já temos esses estudos. Não estamos falando de algo que ainda precisa ser feito.

O corredor de ônibus na estrada M'Boi Mirim, no trecho após o terminal Jardim Ângela, como eu disse, está previsto no PlanMob de 2015, e sua implementação estava prevista, inicialmente, para 2020.

Um dos fatores que normalmente se avalia para desenhar um corredor como esse é a densidade urbana. Quando pensamos em M'Boi Mirim, estamos falando de uma das regiões mais populosas da cidade e mais carentes de redes de transporte coletivo de massa. Então, é uma região que, de fato, precisa desse corredor com as características que foram originalmente desenhadas, e não uma alteração no projeto a partir de decisões meramente políticas.

Essas intervenções que estão planejadas têm um papel central na garantia de deslocamentos mais eficientes, seguros e acessíveis.

Para fechar minha fala, queria dizer quais são os benefícios desses corredores centrais e por que apostar nessa decisão. Os corredores centrais são faixas exclusivas localizadas ao lado esquerdo da pista, junto ao canteiro central, com separação das vias dedicadas aos automóveis. Quando estão do lado esquerdo da via, possuem melhor desempenho em relação às faixas exclusivas, porque não há interferência por parte de outros veículos que estão naquela via.

As estruturas de embarque e desembarque, nesse modelo, são semelhantes às estações de BRT. As calçadas ao longo das vias, onde existem corredores centrais, ficam mais livres para a circulação dos pedestres e para a implementação de ciclovias integradas a esses corredores.

Tudo isso para dizer que, além dos estudos feitos para essa região, temos estudos nacionais e internacionais que embasam a decisão por esses corredores centrais que estão sendo defendidos aqui. Então, do ponto de vista técnico, essa é a melhor solução para ser levada adiante e, como o nobre Vereador Nabil Bonduki colocou, também estou otimista que conseguiremos.

Parabenizo de novo pela mobilização de vocês.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Ana.

Passo a palavra para um dos representantes da comunidade, o Sr. José Geraldo Araújo, que representa o Fórum Viva Fundão e também do SAC Transporte M’Boi Mirim.

O SR. JOSÉ GERALDO ARAÚJO - Desde 2009, quando a Prefeitura implantou na nossa região um sistema chamado seccionamento de linhas, pegou nossas linhas de ônibus que faziam ligação dos bairros periféricos até o Centro expandido da cidade e seccionou no principal ponto comercial da nossa região, que é o Jardim Ângela. Não somos contra o seccionamento, precisa ter mesmo, para evitar de vários veículos estarem trafegando pela mesma via indo para o mesmo local. Porém, para se implantar um sistema de seccionamento, existe uma série de medidas anteriores que a Prefeitura teria que ter feito. Não fez.

Não havia estação de transferência, nem terminal com capacidade para absorver nossa demanda. Aquilo que já era muito ruim ficou pior. A situação ficou caótica. As pessoas simplesmente eram despejadas no Jardim Ângela, nas imediações do Largo do Ângela ou do Terminal Ângela, que é minúsculo. E as pessoas eram despejadas lá para fazer os transbordos, expostas às condições climáticas, sol ou chuva.

E o que já era ruim ficou pior. Então, nós, do Movimento SOS Transporte, organizamo-nos e começamos a ir para a rua e a gritar que existíamos e que não dava para viver naquela situação que estávamos. Começamos a luta tanto para duplicar a M’Boi Mirim, no trecho compreendido da padaria Menininha até a divisa de Itapecerica, como para trazer a extensão do metrô do Capão Redondo até o Jardim Ângela.

Pois bem, isso foi em 2009. De lá para cá, tivemos seis projetos apresentados pela Administração para resolver o nosso problema, dos quais, dois foram aprovados, licitados e contratados: Um, em 2016, foi licitado pelo então Sr. Prefeito Fernando Haddad, com quatro pistas de enrolamento, corredor de ônibus, canteiro central e ciclovia. Mas não foi executado; em 2022, tivemos outro projeto, na mesma situação, com quatro pistas de enrolamento, corredor de ônibus, canteiro central e ciclovia, porém, só até a Funcionários Públicos, alegando eles que da Funcionários Públicos até Humberto Marçal não era necessário. Concordamos.

Só que neste ano, estranhamente, o Sr. Prefeito Ricardo Nunes simplesmente anuncia que vai fazer uma requalificação e que quer dar o nome de duplicação. Vieram aqui e disseram que não ia ter corredor de ônibus em nenhum trecho da requalificação da estrada do M’Boi Mirim. Manifestamo-nos aqui, no dia da audiência pública, com o Sr. Secretário Marcos Monteiro, o outro Sr. Secretário representante da Prefeitura, e dissemos, bem alto e em bom som, que nós, do Movimento Social Moradores do M’Boi Mirim, não admitiríamos a duplicação da M’Boi Mirim sem o corredor de ônibus no canteiro central, porque a nossa visão é de que o corredor de ônibus privilegia o transporte público e facilita a vida das pessoas, dá oportunidade das pessoas saírem um pouco mais tarde de casa e de chegarem um pouco mais cedo, sobrando tempo, para ter lazer e para ter diversão com sua família.

Pois bem, eles disseram que recolheriam e reveriam o projeto, e que depois nos procurariam. Não fizeram isso.

Trinta dias depois, a Folha de S.Paulo me procurou para me falar sobre o projeto da duplicação. Falei para a Folha de S.Paulo o mesmo que estou dizendo para vocês. Foram licitados, contratados dois projetos e nenhum dos dois foi executado. E falei as épocas e que, agora, o Sr. Prefeito queria fazer uma duplicação que nada mais era do que um “alargamentozinho”.

Duplicação é duplicar aquela capacidade instalada que se tem no momento.

Um palmo é alargamento. Cinco metros é alargamento.

Não queremos alargamento , queremos duplicação. Sempre lutamos por duplicação.

Pois bem, a Folha de S.Paulo nos ouviu e foi falar com o Sr. Prefeito, com o Sr. Secretário. E o que eles disseram? Não vamos rever nada, não vamos colocar corredor de ônibus porque tem que desapropriar, o que muito caro. Porém, o projeto que o Sr. Prefeito ia executar foi passado pelo DR, o projeto, o contrato e o recurso, pelo Governo do Estado; então a única coisa que a Prefeitura tinha que fazer era bancar as desapropriações, e nem isso o Sr. Prefeito queria fazer.

E, agora, para piorar, além de não desapropriar ainda tirou o corredor de ônibus. Onde pararia o dinheiro que o Estado entregou? Porque o estado entregou o dinheiro para fazer a duplicação com o corredor e o Sr. Prefeito queria fazer sem o corredor.

A Folha de S.Paulo publicou a matéria, e baseados nesta publicação, falamos “Eles estão nos enganando. Pediram tempo para rever o projeto, mas já responderam para a imprensa que não vão pôr. Então vamos fazer o seguinte: vamos aprovar uma audiência pública na Comissão Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara e fazer um ato de rua, levar o povo para a rua, para gritar bem alto e em bom som que existimos e que votamos”, eles têm que nos respeitar. Não dá para viver na situação de mobilidade urbana que temos na M’Boi Mirim. Há 700 mil habitantes sendo transportados por apenas um modal de transporte. Isso é inadmissível. Não dá para esperarmos 17 anos, de 2009 a 2026, e o Sr. Prefeito chegar aqui e querer fazer um puxadinho ao seu bel prazer e achar que temos que agradecer, achando-o bonzinho. O recurso é nosso. O dinheiro é proveniente dos nossos impostos e o Sr. Prefeito tem que fazer do jeito que a população necessita e merece.

Chega de descaso. Não dá para dar esse tratamento para a população do M’Boi Mirim. Existimos, exigimos respeito, já temos os nossos direitos muitas vezes desrespeitados em vários setores, na saúde, na educação, na assistência social, na segurança pública, e mais no transporte? Obrigar-nos a gastar cinco, seis horas do nosso dia dentro de ônibus para ir para o trabalho, ou a médicos, ou para a escola, ou para a faculdade? Chega! Duplicação aqui só com corredor de ônibus.

E essa pequena demonstração que estamos dando, porque graças a Deus temos companheiros no Parlamento, porque o Parlamento é a caixa de ressonância da aclamação do povo. Vivemos em uma democracia representativa. Elegemos Vereadores para que nos representem, e graças a Deus na Comissão Trânsito, Transporte e Atividade Econômica temos companheiros que são forjados na luta e que reconhecem e conhecem a luta do povo, como o companheiro Nabil Bonduki, que nos recebeu, apresentou e aprovou na Comissão esta audiência. A companheira Renata Falzoni e uma outra companheira do PSOL, Luana Alves. Eles nos receberam, acolheram-nos e aprovaram. Aqui estamos.

Mas não vai parar por aqui. Hoje, eles lançaram uma matéria no G1, produzida por inteligência artificial. Ninguém aqui é bobo, sabemos identificar uma matéria quando feita por inteligência artificial, dizendo que estão recolocando o corredor, querendo nos fazer mais um engodo, como fizeram alguns anos atrás, colocando caminhões, máquinas, mais de 300 pessoas ao longo da M’Boi Mirim, dizendo que a duplicação estava em curso, levando ao engano de muitos de nós. Muitos de vocês votaram em candidatos que não merecem representar vocês, nem no Poder Executivo e nem no Poder Legislativo.

Não vamos admitir isso mais. Não vamos admitir.

O que fizemos? O nobre Vereador está aqui nos dando a devida atenção, e aprovamos também um ato para o dia 8, às 6 horas da manhã.

Vamos nos concentrar na Vila Remo para caminhar de maneira pacífica e ordeira, como sempre fizemos, porque o direito de livre manifestação de pensamento é garantido pela Constituição Federal. Vamos caminhar e dizer que temos que ser atendidos na duplicação com o corredor.

Assim como estamos contando com vocês, aqui, hoje, queremos manter essa mobilização para, no dia 8, às 6 horas da manhã, a concentração na Vila Remo para caminhada até a Subprefeitura. E, se eles não nos receberem, vamos ocupar a avenida.

É isso. Obrigado.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Sr. Geraldo.

Informo que as inscrições estão encerradas. Temos 19 inscrições, é muita gente e já são 8h20. Peço para o pessoal da Mesa falar por cinco minutos, no máximo, e dois minutos cada pessoa que fizer intervenção, para que possamos encerrar antes das 10 horas, pois depois desse horário fica difícil para as pessoas irem embora.

Organizemo-nos.

Passo a palavra para a Sra. Regina Paixão, do Fórum Pela Vida do Jardim Ângela, por cinco minutos.

Anuncio a presença da Sra. Ediane Maria, Deputada Estadual, e a convido para a Mesa.

A SRA. REGINA PAIXÃO - Bem-vinda, Sra. Ediane.

Boa noite, pessoal. Muito bom ver todo mundo preocupado junto a nós, Fórum Defesa da Vida e SOS Transporte, pela situação da nossa duplicação.

Não aguentamos mais ser enganados, sim ou não?

- Manifestação do público.

A SRA. REGINA PAIXÃO - Vocês lembram das faixas? Vocês lembram dos totens?

Não aceitamos mais essa enganação “Duplicação vai acontecer, duplicação está na lista”.

O Sr. Geraldo já fez um bom histórico, aqui, da nossa luta. Estávamos juntos em todas. Saímos da SIURB meio assim, naquela reunião, “vai, não vai”, e no dia seguinte o Sr. Prefeito vem na rede dizendo que não vai ter corredor. É o que o Sr. Geraldo já trouxe.

E a Sra. Ana traz muito para nós da importância e da possibilidade desse corredor. Vim para cá, hoje, pensando e falei “Caramba, o nobre Vereador Nabil Bonduki vai pensar que estamos enrolando, que a M’Boi está boa”. Mas por que a M’Boi está boa? Porque tem um acidente lá na Ponte do Socorro, travando a vinda para cá. Vim, Comissão da Câmara, pensando muito nisso. Como a nossa turma sofre.

Aproveitando que está aqui, também, a SP Trans, quero falar que ontem, quando divulgávamos nossa audiência, também falávamos de um transporte sem qualidade, de um transporte que demora, de linhas que não chegam. Quem está na Cidade Ipava, ou na Vila Gilda anda muito até chegar a um transporte. E com chuva? E à noite, quando chega da escola? E quando ultrapassa a M’Boi Mirim e não chega na nossa casa? Então, peço que a SPTrans venha conversar conosco da SOS Transporte -do Horizonte, fui também no Horizonte, - , pela qualidade desse transporte.

Parece que a zona Sul é abandonada, Srs. Parlamentares que estão aqui. A zona Sul é abandonada, porque quem está do terminal para lá percebe que o São Francisco todo dia tem um ônibus quebrado. Podem observar. Quem está indo para o Centro, quando vem para cá, falo que pode ver o ônibus vermelho, é do Jardim Ângela e que está quebrado. Parece que somos esquecidos.

Nem quero entrar na pauta do assédio, da linha que vem lotada, que não chega, que é inadequado para nós, mulheres. Temos muito o que lutar.

E o Sr. Geraldo já trouxe: continuaremos mobilizados, pois não aguentamos ser enganados. Não adianta virem, hoje, com o nosso totem, dizendo que está garantido. Acabou de sair de novo no G2, e aí, passa mais um mês, e somos enganados de novo.

Precisamos continuar mobilizados. Vamos caminhar no dia 8, sim, porque, em relação à pauta do transporte, se vier o corredor, temos outra. Qual é a outra por que lutamos há anos?

- Manifestação do público.

A SRA. REGINA PAIXÃO – Metrô. Metrô Jardim Ângela. O Vereador Nabil já sabe. A Ediane sabe também. Essas são as nossas pautas de luta e contamos com todo mundo, sempre, para continuarmos mobilizados.

Quero agradecer a esta Comissão da Câmara, primeiro, por vocês virem até nós. Temos ido em grupos à Câmara Municipal, mas, às vezes, nos sentimos esvaziados porque é difícil chegar. Na Alesp, então, nem se fala, também nem sempre conseguimos ir; então é preciso ir onde o povo está mesmo. E então, quero pedir para esta Comissão nos ajudar a fiscalizar essa proposta. Amanhã mesmo já tentar audiência com o Prefeito, porque, se de repente sai o corredor, não queremos perder esse timing , ainda mais neste ano, que é especial.

Quero terminar saudando muito o pessoal que está presente, seja dos movimentos, seja da Facesp e dos fóruns, mas também do MTST e de todo mundo que veio e mostrou quem é o Jardim Ângela, não é mesmo?

- Manifestação no recinto.

A SRA. REGINA PAIXÃO - Somos um grupo organizado, não fazemos arruaças. Às vezes, na periferia, as pessoas se infiltram, porém queremos fazer um ato pacífico e, mais uma vez, quero dizer que contamos com todo mundo no dia 8, combinado? Obrigada e sigamos na nossa audiência. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) - Obrigado, Regina. Vou passar a palavra, agora, para o Jailson, do Movimento SOS Transporte Coletivo e, antes dele iniciar, quero anunciar a chegada da Vereadora Renata Falzoni.

O SR. JOSÉ JAILSON DA SILVA - Já volto. Pediram para vir por esse lado de cá. Como sou um filho obediente, então, estou atendendo ao pedido do colega.

Pessoal, boa noite. Estou muito feliz. Quero cumprimentar a Mesa que está meio a meio, ou seja, Mesa linda, com meninos e meninas, porque, normalmente, a composição das mesas é machista, há mais homens do que mulheres e, hoje, vemos 4 grandes mulheres, guerreiras, que merecem uma salva de palmas.

- Manifestação no recinto.

O SR. JOSÉ JAILSON DA SILVA - E é isso: as mulheres têm de estar onde elas quiserem, Vereadora Renata Falzoni, inclusive na política.

Quero agradecer a cada um que veio a esta audiência. Só para a Renata Falzoni e para o Nabil Bonduki, que moram da ponte para lá, que conseguiram comprar a casa da ponte para lá, porém, nós não, quero dizer justamente isso: as nossas casas estão da ponte para cá. Olha que pauta mexe com a população daqui: ninguém quer ganhar na megasena, ninguém quer isso, até quero, mas não sei se vou ganhar. O pessoal está aqui pelo quê? Pela duplicação da M´Boi Mirim. E por quê? Porque as pessoas estão cansadas de sofrer, não aguentam mais descer no Jardim Ângela e vir a pé, Genésio, para o Fundão. As pessoas estão cansadas de ficar 40 minutos para andar 2 km. Então, isso é muito importante.

E quero dizer ainda que estamos apensas reivindicando, Wesley, que aconteça na duplicação só aquilo que já foi licitado. O DER licitou o projeto com o corredor, então só estamos querendo que seja feito aquilo que já foi licitado. Nada mais do que isso.

E devo dizer que, em fevereiro, a Prefeitura dizia que não era possível, e olha a desculpa esfarrapada do Clodoaldo, que é um Secretário renomado, respeito a sua biografia, mas olha a desculpa dele: “Que tem de colocar ônibus com a porta do lado esquerdo”. Pelo amor de Deus, será que não tem tecnologia para colocar a porta no lado esquerdo do ônibus? É uma piada de mau gosto o cara falar isso, mas, enfim, ele não tinha outra desculpa. Daí o que é legal, Regina? É que não desistimos. Somos da quebrada. Já nascemos sofrendo, pois nada tínhamos para comer e ia dormir com fome mesmo.

E eu, como bom pernambucano que sou, não tenho medo de lutar. Tinha muito cabelo ainda quando comecei essa história de defender o metrô Jardim Ângela e a duplicação da M’Boi Mirim. Estou até careca já, mas não vou parar, meu amigo William Fox, porque, se não lutarmos hoje, os nossos filhos sofrerão o mesmo que estamos sofrendo. E chega. Já basta pagarmos os pecados por eles, mas que eles possam chegar em uma faculdade mais rápido, Wesley, porque não é justo perder quantas horas por dia. Quatro horas. Isso dá mais de um mês, ao ano. Não dá para aceitar isso.

Só que se o Prefeito recuou, aí eu quero parabenizá-lo porque não sou hipócrita, jamais. Mas ainda estou igual a São Tomé: só acredito quando ele for em rede nacional dizer que vai ter o corredor – já que a matéria do folhetinho de fevereiro falava de baias e, nesta, já menciona corredor central, e amanhã pode ter um outro folhetinho dizendo que isso foi um erro gráfico.

Por isso, precisamos, sim, Regina, de uma reunião com o Prefeito ou com o Secretário Marco Monteiro, Renata Falzoni e Nabil Bonduki, para que eles escrevam, realmente escrevam, se vai ter corredor de ônibus, porque, se não escrever, não acredito ainda, Genésio, não acredito ainda. Mas, beleza, quero acreditar que vai ter, sim, o corredor no canteiro central, só que a luta continua.

Temos ainda o metrô Ângela, que também caiu no esquecimento. Alguém tem o telefone do Tarcísio? Carlão você tem? Manda um ZAP para ele, porque o Tarcísio esqueceu do Ângela. Não é possível, pois está saindo o metrô para o Taboão, nada contra, mas o Rosevaldo ainda era menino quando começou a caminhar por M’ Boi Mirim, pelo MTST com Guilherme Boulos, este que nem sonhava ser ministro, quando o metrô Ângela, Giba, foi prometido para nós. E cadê? Está saindo o metrô por Varginha e Parelheiros, nada contra, ele falou que levaria o metrô para a Baixada Santista. Pois que leve. Mas cadê o Ângela?

Então, dia 8, quero convidar a todos os colegas, jovens, adultos e suas crianças, idosos, enfim, a todos para que caminhemos, Marcelo. Vamos caminhar, dia 8, pelo metrô Ângela. Bora lá, vamos lá. Se superamos a pauta do corredor, e, espero que sim, temos a pauta do metrô. Não vou parar de lutar enquanto não ver meu sonho, sabem? Nem que seja ali de bicão para cortar a fita da estação Jardim Ângela.

Não quero deixar que só meu filho Arthur de 12 anos use o metrô Ângela. Só ele. Não, quero eu ainda usar, nem que esteja de bengala, Marcelo, porque sonho com isso. Então não vou parar de lutar enquanto no metrô Jardim Ângela não andar;

A luta continua. Duplicação já! Metrô Ângela já. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Jailson. Neste momento, vamos começar a ouvir os inscritos da comunidade, da região. A Deputada Ediane e a Vereadora Renata falam um pouco mais para frente. Vamos iniciar com o Lucas Vildgar, por dois minutos.

O SR. LUCAS VILDGAR - Boa noite, pessoal, tudo bem? Meu nome é Lucas Vildgar, sou morador da Vila Calu. Vou falar para vocês um pouco do trânsito na nossa região, que é o pior de São Paulo.

Perdemos a saúde dentro do ônibus. Levantamos às 4h para ver o sol nascer de dentro do ônibus. Ainda assim, chegamos atrasados no serviço por causa do trânsito. Nada mais justo do que o Prefeito devolver o corredor de ônibus para o povo da M' Boi Mirim. Mais do que justo, nós do Fundão merecemos respeito.

Já sabemos, quando a Defesa Civil manda o alerta de chuva, que não vamos chegar em casa tão cedo, porque acontecem acidentes e mais problemas no trânsito. Sem um corredor, somos nada, pois ficamos parados no trânsito. Então tem de sair andando, cansa os pés, cansa a batata da perna e, ao chegar em casa, estamos exaustos. Saí do serviço às três da tarde e cheguei em casa às 18h15min, porque, ao chegar no Capão Redondo, aguardei três ônibus lotados, era o 513, e, daí, quando embarquei, foi mais de uma hora para poder vir. É só trânsito, trânsito e trânsito.

Assim como todos temos um sonho, acredito que o nosso desejo é realmente que o metrô do Capão Redondo chegue até o Jardim Ângela, assim como o corredor do Jardim Ângela chegue até o Jacira. É mais que um desejo: é um objetivo social para todos os trabalhadores. Precisamos disso e, se não nos unirmos, não formos para a rua, não votar 13, não for 13.700, estaremos na roça.

Aproveito para agradecer a todos, lembrar que esse é nosso desejo, e pedir para quem puder me seguir nas redes sociais, Lucas Vildgar. Há 17 anos, esperamos pelo metrô e o corredor. E há 12 anos inscrevo-me no Big Brother Brasil e uma hora estarei lá. Conto com todos vocês. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Lucas. Chamo, neste momento, a Maria dos Anjos Pires da Silva, Líder comunitária. Vou pedir para ir se aproximando o João Batista de Lima, do bairro Cidade de Ipava.

A SRA. MARIA DOS ANJOS PIRES DA SILVA - Boa noite a todos. Boa noite à Mesa. Meu nome é Maria dos Anjos, sou moradora do Vera Cruz há 44 anos. Já são quase 30 anos que estou lutando pela duplicação da M’ Boi Mirim.

Estou falando isso, hoje, com muita indignação. Não vou dizer para vocês que estou feliz porque recebi esse folhetinho. Isso é só um pedaço de papel. Só vou acreditar que vamos ser ouvidos e contemplados quando vermos começar a desapropriação e a duplicação da M’ Boi Mirim, pois faixa nós já escutamos que ia duplicar, há muitos anos, e nada sai do papel. E continuamos a sofrer.

Porque estou dizendo isso, gente? Tenho 71 anos, então, não dá para aceitar mais, é um direito que todos temos, e o que continuamos a ver são nossos jovens adoecerem, desistir de estudar por conta do trânsito dessa M’ Boi Mirim.

Entro no ônibus, vejo um jovem estudando em pé, ele que sai às 4h para trabalhar, depois vai para a faculdade e fica em pé nos ônibus, por causa desse trânsito infeliz. E muitos estão ficando doentes. Muitos saem da casa dos pais para alugar um lugar depois da ponte, bem depois do Jardim Ângela, porque não têm condições de morar nesta região. Não podemos mais aceitar isso.

Temos de continuar lutando e cobrando dos nossos governantes, porque é o que fazem com nossa região. Regina e Sr. Nabil, o que fazem com essa região é um descaso. O que fazem com essa região toda é uma pouca-vergonha. Essas pessoas que elegemos, esses prefeitos que elegemos, e já passaram vários, não viram que existimos, nenhum deles. Eles só vêem que existimos na hora do voto, no momento de vir para cá fazer campanha, aí falam que vão resolver a duplicação da M’ Boi Mirim. Mas é só enganação. Não podemos mais esperar isso. Temos de acreditar e cobrar.

Outra coisa que também é importante: levar essa situação ao Ministério Público e pedir ajuda, porque não dá mais para ser enganado, são tantos anos vendo nosso povo adoecendo, cada dia que passa é a pessoa idosa andando do Jardim Ângela, até o Vera Cruz, até o Jacira, até o Horizonte, à pé por conta de trânsito. Isso é uma vergonha. Na cidade mais rica do país, estamos pedindo há 30 anos a duplicação num pedaço curto, mas não recebemos essa melhoria. É realmente algo absurdo que não dá para continuar aceitando, porque votamos nessas pessoas, elegemos esse pessoal. Não podemos mais aceitar esse descaso. Nosso povo está adoecido por conta disso. É atropelamento todos os dias, é assalto, as pessoas sofrendo, andando à pé porque não tem ônibus já que o trânsito vive parado.

Por que é que falam que está tudo bem? Porque não é o filho desses governantes que estão dentro do ônibus às 4h da manhã. Os filhos deles não passam o dia todo no trabalho e às dez continuam na avenida, sem conseguir chegar em suas casas. Isso não é qualidade de vida. Quando a gente vai falar, a resposta é que moramos em áreas de mananciais. Moramos, sim, em áreas de mananciais. Se não queriam a população nessas áreas, por que não fiscalizaram antes? Por que não ofereceram projetos de moradia para essas pessoas? Por que não fizeram isso?

- Manifestação no recinto.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Maria.

A SRA. MARIA DOS ANJOS PIRES DA SILVA - Agora que estão aí têm de respeitar essa população que votou. E nós, que votamos, temos de dar esse troco nas urnas. População, também temos de aprender a cobrar respostas dessas pessoas que não nos respeitam, que não querem nos respeitar. É assim que se dá respostas. É isso aí. Muito obrigada. (Palma)

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Muito obrigado, Maria dos Anjos. Com a palavra o Sr João Batista e, na sequência, a Sra. Joelma Costa Dias, moradora do M’ Boi Mirim. João, dois minutos, porque ainda há muitos para falar.

O SR. JOÃO BATISTA DE LIMA - Certo, por favor, me avise.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Aviso. Obrigado.

O SR. JOÃO BATISTA DE LIMA - Boa noite, pessoal. Olha, sou o João Batista. Represento a Cidade de Ipava, Vila Gilda e o Aracati.

Estou falando para o povo, porque o povo está pedindo ali na Vila Gilda — e depois eu vou chegar na avenida, em M’Boi Mirim - um terminal de ônibus gigante, porque o povo está reclamando, naqueles três bairros, do transporte público.

E o alargamento, falando de transporte, na Avenida Baronesa, saindo ali do sinal para a M’Boi Mirim.

O povo também, no Cidade Ipava, está pedindo um colégio que realmente atenda a população, porque aquela região tem mais de 300 mil pessoas, considerando os três bairros. O povo também pede um posto grande de saúde, porque estão perdendo atendimento médico. Essa é a petição do povo daquele bairro.

Falando também do alargamento da M’Boi Mirim, o povo só tem a ganhar. O projeto existe há muito tempo, há muitos anos, tanto o projeto do metrô quanto o projeto do alargamento da Avenida M’Boi Mirim.

Assim, eu, como cidadão morando na zona Sul, tenho certeza de que todos vocês se sentem envergonhados, porque a zona Sul foi esquecida pelo Poder Público. E o povo não quer mais isso. O povo quer a avenida, o povo só tem a ganhar.

O povo realmente está precisando de um transporte público que tenha vazão no Centro da cidade, para que o povo não perca trabalho, não perca atendimento médico e seja, de fato, beneficiado. Este é o pedido do povo.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, João.

Quero anunciar a Natália Boulos, que acabou de chegar e vai falar depois. E agora é a Joelma, e, em seguida, Carlos Costa de Sousa. Joelma, moradora do M´Boi Mirim, MTST.

A SRA. JOELMA COSTA DIAS – Boa noite, pessoal. Meu nome é Joelma, sou moradora do Fundão há 40 anos, sou cozinheira na cozinha solidária do MTST aqui no Fundão, sou coordenadora da ocupação Vila Nova Palestina. Eu tinha tanto para falar, pena que são dois minutos, muito pouco.

Mas eu quero relatar e chamar o Prefeito Ricardo Nunes. Prefeito passado a ferro, engomado, não serve para ser Prefeito. Prefeito é quem governa com o povo, não é Prefeito antipovo.

O povo do Fundão está esquecido, sofrido há anos. Hoje nós agradecemos a atenção do Governo Federal, que está nos ajudando, de um Ministro que chegou lá e fez a política pública funcionar, porque, se depender desse Prefeito, a gente fica no meio do caminho.

E ao contrário do que ele fala da ocupação Vila Nova Palestina, essa ocupação é um ponto de segurança para os pedestres que vêm a pé à noite, no escuro, porque ali antigamente era um cemitério clandestino.

Então, nós temos que agradecer ao Governo Federal, que faz. E, se não fosse a legislação, Ricardo Nunes não teria o direito de escolher se nós teríamos corredor ou não, porque ele não sabe governar, não é Prefeito do povo, não conhece M’Boi Mirim. Lembro que a primeira vez que ele pisou aqui foi na pandemia, ele veio de helicóptero. E, se perguntar para alguém aqui, ninguém sabe quem é Ricardo Nunes, só conhece pela TV.

E aqui eu quero fazer um apelo — mais um minutinho, Nabil Bonduki —: à SPTrans que está aqui. Peço, por favor, que dê atenção à empresa de ônibus que faz a linha do Vila do Sol. É um castigo.

Há crianças lá com a mochila, sentadas no bar, porque não aguentam o peso da mochila, e o ônibus passa a cada 40, 50, 60 minutos. Está aqui o povo que não me deixa mentir. Eu trabalho aqui, vou a pé e venho a pé, gasto dinheiro de condução à toa, porque ando mais a pé.

Ele colocou essa linha de ônibus, os ônibus são velhos, não funcionam. SPTrans, dê atenção para aquelas crianças que vão e voltam da escola. Eu já vi criança chorando e falando “Minha mãe não vai acreditar que o ônibus não passou”. Isso é grave. Isso é uma lástima. Nós estamos em 2026. Chega! Ô, gente, eu tinha tanto para falar, mas não dá. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado.

A SRA. JOELMA COSTA DIAS - Obrigada. E está aqui, gente, uma Deputada que está fazendo história, Regina. Nabil, vocês são a história, aqui do Fundão, Geraldo, Jailson. Eu quero falar em nome de todo mundo. E está essa companheira que está vindo aí para fazer história também, Natalia Boulos. E aqui eu quero saudar o Ministro Guilherme Boulos, que está com esse movimento também do povo pelo povo fazendo história aqui no Fundão. A Simone, eu quero agradecer todos. MTST! (Palmas)

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Joelma. Agora é o Carlos Costa de Sousa, coordenador do SOS Transporte M’Boi Mirim. Cadê o Carlos? Está ali. O Carlos não está?

O SR. CARLOS COSTA DE SOUSA - Boa noite a todas e a todos. Eu quero saudar a Mesa e todos vocês aí. Parabéns, Natalia Boulos, Nabil, Deputada Ediane, todos vocês.

A luta é antiga por mobilidade aqui na estrada SP 214, onde moram 700 mil pessoas. Tem um nome que a gente gosta de falar. Eu moro aqui há 47 anos e uma coisa que eu nunca tive é medo na minha vida; eu fui um dos primeiros conselheiros municipais de transporte e de trânsito, na gestão Fernando Haddad, Jilmar Tatto era Secretário de Transporte.

Então, você vê quantas promessas tivemos do Prefeito Fernando Haddad. Quem fez aquela ponte de 150 metros foi o Secretário, com o Prefeito Fernando Haddad, do Capela, onde desafogou. De lá para cá, só mentira, só mentira, só promessas.

E aí vem essa história de tirar o corredor de ônibus central. Isso não existe, fazer baia não existe. Onde vai fazer baia e deixar de fazer o corredor se do Hospital do M'Boi Mirim dá 5 km até onde vai duplicar a Estrada do M’Boi Mirim? Quantas pessoas morrem dentro de ambulância até chegar no Hospital do M'Boi Mirim? Eu sei porque eu fui conselheiro lá quatro anos, duas vezes.

Iirmão, o Prefeito Ricardo Nunes morou na periferia de São Paulo, aqui na região nossa, Vila Calu, então eu acredito que ele não vai fazer isso com nós. E, se for para fazer, temos que questionar e reivindicar os nossos direitos, constitucionalmente, direito de ir e vir.

Isso é a minha fala. Vamos para cima. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Carlos.

O próximo é Matheus de Lucas Silva, coordenação do Povo pelo Povo.

E eu queria anunciar aqui a presença do Osmar Dias, representantes da SIURB. Nós vamos dar, em seguida, a palavra ao senhor.

O SR. MATHEUS DE LUCAS SILVA - Boa noite a todos. Eu sou Matheus, eu faço parte da coordenação estadual do Povo pelo Povo. E eu começo a minha fala falando que obra na periferia não é favor, é direito, é direito de todos nós, todos nós que dependemos da Estrada do M’Boi Mirim, das ruas adjacentes também.

Então, quando a gente tem uma audiência pública, é necessário principalmente ouvir as pessoas, porque só com a participação popular, é só com a participação das pessoas, é só fazendo a Prefeitura, fazendo os secretários nos ouvirem que a gente consegue fazer as coisas acontecerem.

A gente vê que a luta não é de hoje, a luta é de várias décadas, e mesmo assim, mesmo com tanta pressão popular, ainda é tão difícil acontecer essas obras aqui na periferia. Por que a periferia é tão esquecida? Por que a gente tem que fazer tudo isso para conseguir as coisas? É sério que a gente teve que fazer pressão popular para conseguir um corredor de ônibus? Uma Prefeitura que se... Têm que ser feitos cada vez mais corredores de ônibus, têm que ser feitos cada vez mais metrôs; então não pode ser só na audiência pública, só com pressão popular que vão acontecer essas obras.

Então a gente está aqui para garantir não só a necessidade dessas obras, mas para que as nossas vozes sejam escutadas, para que a gente cada vez mais consiga ter a as obras dentro da periferia, que é onde a gente mora, onde sempre a gente foi esquecido. Aqui, a gente não está só pela necessidade da duplicação da M’Boi Mirim. A gente está aqui lutando por qualidade de vida, por melhoria dos nossos direitos, para que a gente seja escutado. A gente precisa ter voz e é na audiência pública que a gente vai conseguir isso.

Agradeço a toda a Mesa também. E é isso. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Matheus.

Pessoal, vou interromper um pouco a fala dos inscritos para passar aqui para o Osmar Dias, representante da SIURB E ele tem um vídeo também do Secretário da SIURB. Então vamos ouvir o que o Poder Público, a Prefeitura tem a dizer. A gente recebeu hoje essa notícia, a notícia dessa novidade, então gostaríamos de ouvir para, depois, dar continuidade à audiência pública. Obrigado pela presença.

O SR. OSMAR DIAS - Ok , obrigado.

Pessoal, antes de mais nada, eu queria me desculpar pelo atraso, mas eu saí do Largo São Francisco, do estacionamento, eram 17h12, estou chegando aqui agora.

- Manifestações na plateia.

O SR. OSMAR DIAS - Isso é para mostrar para vocês o respeito que a gente tem. Independente do trânsito que a gente enfrenta lá, a gente está aqui para representar e respeitar vocês, ok ?

- Manifestações na plateia.

O SR. OSMAR DIAS - Eu vim de carro, vim pela Nove de Julho, foi quase uma hora e meia só na Nove de Julho, da São Gabriel até a Cidade Jardim, e estou aqui em respeito a vocês. Eu sei o que vocês sofrem, conheço bem a região.

Mais uma vez, vou pedir também desculpa, justificando a não presença do nosso Secretário Marcos Monteiro, porque ele é professor na Faculdade de Mauá e hoje tinha uma formatura. E ele fez um vídeo e a gente vai passar esse vídeo aqui agora.

Para quem não me conhece, eu sou Osmar Dias dos Santos, engenheiro da Prefeitura, engenheiro fiscal dessa obra por parte de SIURB. Em todas as reuniões que vocês tiveram, praticamente viram minha presença aqui, e vão continuar tendo, porque a gente tem que respeitar a nossa comunidade, tem que respeitar o território, então estamos aqui para cumprir o que foi feito. A maioria de vocês deve ter visto hoje, no Bom Dia São Paulo e no SPTV , primeira edição, a respeito da obra. Então vou passar agora, pedir a liberação do vídeo do nosso Secretário Marcos Monteiro. E, mais uma vez, muito obrigado pela presença de todos. (Palmas)

O SR. MARCOS MONTEIRO – (Por vídeo) - Boa noite a todos. É um prazer estar aqui com vocês para essa audiência pública da Câmara Municipal. Quero cumprimentar todas as autoridades presentes, vereadores, representantes da Prefeitura e, principalmente, a população que está aqui com a gente nesse dia importante para a região, em que nós viemos trazer as respostas daquela reunião, daquela audiência que a gente realizou num sábado, no dia 28/2.

Me desculpem por não estar presente. Eu tenho um compromisso agora à noite, estou gravando um pouco antes da nossa audiência. Eu tenho uma formatura da Mauá, onde eu dou aula, e daí eu fiquei impossibilitado de comparecer. E inicialmente nós tínhamos recebido um informe de que essa reunião seria também semipresencial, quer dizer, a gente poderia entrar por vídeo, que era a nossa ideia. Mas na hora do almoço recebemos a informação de que não seria possível, de que a reunião, então, seria apenas presencial.

Então, por respeito a vocês, eu achei importante, conversei com o Secretário Clodoaldo também, gravar o vídeo da apresentação, desse anúncio dos estudos que foram feitos. Mas nós temos representantes da Prefeitura nessa reunião também para esclarecimentos adicionais.

Então só relembrando um pouco, no dia 28/2, nós realizamos a audiência em que apresentamos os projetos do Trecho 1, que já está em andamento. As obras estão em andamento e nós devemos finalizar, como está no folheto que vocês receberam, até setembro. E estamos realizando os projetos dos Trechos 2 e 3, e na época nós apresentamos todas as características dos Trecho 2 e 3, com a faixa exclusiva de ônibus do lado direito. E como resultado – e audiência pública é para isso mesmo -, como resultado dessa audiência, nós nos comprometemos a realizar um estudo para manter o corredor central, o corredor do lado esquerdo da via e fazer também o estudo de impacto de desapropriações.

Levamos essa lição para casa. Esse estudo ficou pronto na semana retrasada, antes do feriado, e isso foi levado para o Prefeito, que tomou a decisão desse projeto que a gente vai apresentar para vocês agora.

Então, um resumo do estudo que foi realizado, a gente vai mostrar aqui, mas só relembrando: nós estamos aqui no Trecho 1, realizando as obras do Trecho 1, que vai de Itapecerica até a Funcionários Públicos. E hoje nós vamos conversar exclusivamente do Trecho 2, em azul, então que liga a Funcionários Públicos até a Ribeiralta. E o Trecho 3 é um trecho menor, de 800 m, que liga a Rua Ribeiralta até o Terminal Jardim Ângela.

Então o projeto como um todo, um investimento total de 446 milhões, convênio da Prefeitura com o Governo do Estado, sem considerar as desapropriações.

Então aqui os resultados que nós obtivemos dos estudos. Então, como nós tínhamos comentado lá na reunião do dia 28/2, em que a gente procurou, e na proposta que apresentamos a vocês, o objetivo era reduzir o impacto da obra com relação a desapropriações, com a obra tendo valores menores e com menor impacto de desapropriações, o que seria também uma obra mais rápida. Mas, em função de todas as argumentações, a gente elaborou os estudos que estamos apresentando agora.

Então a área de desapropriação, com a faixa exclusiva do lado direito, 111 mil m², com o corredor à esquerda, 172 mil m². Então a gente cresce com o corredor do lado esquerdo, como era a expectativa, como tínhamos comentado, seja em função da largura maior da via, que a gente precisa, como também a questão dos retornos que vamos ter que criar.

Outro impacto em levar ao corredor do lado esquerdo é que, com a faixa do lado direito, não tem a travessia do pedestre para acessar a parada. Enquanto que, com o corredor ao lado esquerdo, o pedestre vai ter que atravessar a via para chegar até o ponto de ônibus. São sete paradas de ônibus, tanto num caso como no outro, em cada um dos sentidos.

Os estudos da SPTrans mostram que se ganha, com o corredor do lado esquerdo, um pouco de velocidade. Não é um número significativo, mas isso foi considerado também. Nos dois projetos, a ciclovia é contemplada e a faixa azul também contemplada. Nos dois projetos também, não está escrito aí, mas os dois projetos também com acesso aos ônibus pelo lado direito. Então uma das dificuldades que a gente tinha colocado, no caso do corredor central, era que a grande maioria da frota tem portas do lado direito e, com isso, nós teríamos que adaptar as paradas para o corredor central, para que a gente tivesse acesso pelas portas do lado direito. É isso que foi feito.

Então esse estudo foi levado para a decisão do Prefeito e de alguns secretários, e a decisão do Prefeito foi por dar andamento a essa obra com o corredor central, com o corredor à esquerda da via.

Então, olhando nesse diagrama, nós temos a calçada de um dos lados; a ciclovia nos dois sentidos, incorporadas ali junto à calçada; duas faixas de tráfego, que são a três e a quatro para veículos e caminhões; uma faixa azul entre as duas faixas de veículos; e no corredor central, então, a faixa ou o corredor de ônibus. O mesmo se repete do outro lado, então o corredor de ônibus, as faixas de veículos três e quatro, o cinco é a faixa azul, e aqui do outro lado, então, nós só temos a calçada, não temos a ciclovia; a ciclovia é apenas de um dos lados da via, mas nos dois sentidos.

Então uma imagem ilustrativa do que vocês têm no folheto de vocês e que é a decisão da Prefeitura de encaminhar por essa obra. A gente fala ilustrativa porque a gente não conseguiu exatamente o que vai ser no final. Mas, principalmente aqui, vocês veem uma calçada bem larga, ela é tem 1,90m. Mas o conceito geral é esse: calçada dos dois lados; ciclovia de um dos lados; um ajardinamento junto à via; as duas faixas, nos dois sentidos, dos veículos; a faixa azul entre as duas faixas de veículos; e aqui o corredor mais central, o corredor à esquerda. E nas paradas - aqui não mostra a parada - entra aqui no meio um o ponto de ônibus. Desculpa. Entra aqui no meio o ponto de ônibus, e os ônibus acessam a essa baia para o embarque e desembarque dos passageiros.

Então, só relembrando algumas vantagens do projeto, agora a implantação de corredor de ônibus central do lado esquerdo da via; instalação de pontos de paradas de ônibus; ciclovia; faixa azul para motociclistas; todas as obras de drenagem para que a gente elimine os alagamentos na região; o enterramento da fiação aérea, tanto Enel, rede elétrica, quanto as redes de telecom; nova iluminação em LED; implantação de lombofaixa; construção e adequação das calçadas; acessibilidade para pedestres; paisagismo, e a nova sinalização viária e dispositivos de segurança.

Alguns benefícios do corredor: a melhoria da fluidez, reduzindo muito os tempos de trajeto entre a região de M'Boi Mirim e o Terminal Jardim Ângela; o transporte público privilegiado com o corredor de ônibus; a ciclofaixa nesses Trechos 2 e 3; redução de acidentes de moto com a implantação da faixa azul; o impacto para 800 mil pessoas que habitam na região; acessibilidade universal nas calçadas e transversais. Sempre lembrando: é a primeira via na periferia com enterramentos de fios. A questão do paisagismo, uma melhoria, um maior conforto para quem anda a pé, e 19 bairros beneficiados.

Gostaria de agradecer a presença de vocês, agradecer a atenção. É um projeto muito importante para a cidade e nós temos certeza que agora, com esse formato, nós atendemos de forma plena às expectativas da população.

Obrigado. Boa noite. Tenham um bom evento. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado.

Pergunto para o Osmar se quer complementar alguma coisa.

O SR. OSMAR DIAS – Não.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Se tiver perguntas, ao final, o senhor poderia responder.

O SR. OSMAR DIAS – A gente vai respondendo.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado ao Secretário pelos esclarecimentos. A gente depois vai se manifestar. Agora é o Rosebaldo, do Movimento SOS Transportes M'Boi Mirim. Eu já vou pedir para a Jurema, líder comunitária da Chácara Bananal também ir vindo aqui para frente.

O SR. ROSEBALDO – Boa noite, povo. Ficou animado aí? Queria cumprimentar aqui a mesa na pessoa da Natalia Boulos. Fique em pé, Natália. Uma salva de palmas para todas as mulheres em nome dela. Essa mulher aqui, de fato, ela lutou pela duplicação da estrada várias vezes, pela ponte. É uma guerreira da nossa região.

E eu queria falar também, povo, duplicação sem corredor de ônibus não é duplicação, não é isso? Nós sabemos que tem um valor astronômico aí. É uma parceria do Governo do Estado e da Prefeitura. São 329 milhões por parte do Estado e 177 milhões da Prefeitura, 400 e poucos milhões. Dá muito bem para fazer o corredor de ônibus, não é Jailson, Geraldo, pessoal aí?

Então, por isso que é importante. Eu acho que o Nunes repensou, o Prefeito repensou, não é verdade? Porque o pessoal aqui é inteligente. Na eleição que teve na 372ª zona, ele perdeu. A eleição está aí. Então, está fazendo uma jogada de mestre. O que ele está fazendo? Jogada de mestre. No último minuto ele recusou, lógico, e falou: “vamos refazer o corredor de ônibus”, porque prefeito vive de voto, gestor vive de voto. Então, para isso, o resultado vai estar na urna. Por isso eu acho que vou dar um crédito aí. O Osmar falou aqui agora que já fizeram muitas promessas, mas eu acho, e até ele concorda também, que se o Prefeito não fizer aqui agora dessa vez, você já era, estará queimado mesmo, mais uma vez. Essa que é a realidade.

Eu gostaria de dizer, para finalizar aqui, aproveitando que a Deputada Ediane está aqui, se você puxar lá na Alesp, o Tarcísio está devendo para nós o metrô Jardim Ângela. Está ou não está, pessoal? Então, é isso aí. Queremos o metrô Jardim Ângela, viu, Ediane?

Obrigado aí.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado.

Agora, Jurema da Chácara Bananal e, em seguida, Hanna.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO - Boa noite a todos, à mesa e a todos vocês que estão aqui. É uma grande presença de vocês aqui, gente, que não é brincadeira.

O Geraldo, quando convidou as pessoas do Fundão, merece ser com todo mundo junto, né?

Eu vou começar rapidinho com a Palestina. Em 2013 começou, né? Já estava carente, carente no sofrimento muito grande dessa M’Boi Mirim.

Nossos filhos estão crescendo e eu tenho certeza que eu não vou ver.

Sinceramente, eu estou aqui como munícipe defendendo a minha população da M’Boi Mirim. Isso é uma vergonha. Todo ano, todo ano. É feito Piraporinha. Quanto tempo Piraporinha passou sem fazer? E está feita. Mas a gente tem que ter paciência. O nosso governo tem que tomar iniciativa. Quando ele perder na urna, aí ele para de enganar.

Então, gente, eu agradeço a vocês e a presença de vocês.

Vamos lutar sim, porque os munícipes somos nós.

Nossas crianças não vão alcançar. Eu te garanto que minhas crianças não vão alcançar nessa gestão. Ou eu não vou alcançar no lugar delas. Vocês entenderam?

Então o munícipe tem que ser munícipe, povo pelo povo. Tem que se unir. Se vocês se unirem, não tem para ninguém. Então, o povo é pelo povo. Vamos lutar, gente. Falou?

Boa noite para vocês. Desculpem minha expressão.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado.

Agora Hanna e, em seguida, Jaiane.

A SRA. HANNA – Boa noite. Meu nome é Hanna, sou da liderança comunitária do Capela, conselheira de saúde e do meio ambiente. Sou do CADES municipal e do M'Boi Mirim também.

Eu tenho uma dúvida sobre essa questão. Vocês sabem que a M'Boi Mirim são bairros que foram tomados e as ruas são pequenas. Até acabei de reclamar com ele da fala dele, porque um representante do sindicato falar de uma categoria dos micro-ônibus não é legal. Por quê?

Não existe micro-ônibus do lado esquerdo. Não existe. E todo mundo sabe disso aqui.

Então, assim, nos bairros só passam micro-ônibus. Aqui não tem como. As ruas têm cinco metros, não tem como passar. Então, a minha questão quanto a isso é: Cerejeira, Bandeirantes, vai chegar os ônibus também, eu tenho fé. Nas pequenas ruas, micro-ônibus, como que vai fazer? Essas pessoas vão pegar o ônibus lá em cima e vão ter que descer? Aí, assim, o ônibus de São Paulo está saindo de Itapecerica, já sai cheio. Ela vai ter que pegar vazio, descer lá embaixo e pegar cheio? É isso?

Essa é a minha questão quanto a esse corredor, porque não existe corredor à direita ou à esquerda. O corredor à esquerda contemplaria os micro-ônibus que passariam nele. Agora, esse corredor central não vai mais contemplar os micro-ônibus. E essa é a minha questão. É justo com quem pega os micro-ônibus? Com quem está lá em cima? É sobre isso.

E eu dou razão para vocês, as pessoas estão cansadas de esperar, esperar. Por quê? Só promessas. Começou desde 2012 com a Ponte do Capela. Era um projeto de 32 milhões que contemplaria da Baronesa duplicada até a Isabel de Oliveira. Isso não foi feito, só foi entregue a Ponte do Capela.

Então, assim, esse povo aqui é um povo sofrido e cansado de promessas de todas as gestões. Todas. Não estou falando de um, nem de outra. Hoje está fazendo, mas que faça algo que realmente contemple essa população, porque essa população tem que ser entendida. Aqui nós temos idosos, aqui nós temos PCDs.

Eu convido vocês a irem no Ângela, que é corredor central, e perguntarem para um pai que está vindo do centro com o filho carregado, na cadeia de roda, que tem que descer para pegar o micro-ônibus e tem que atravessar a rua.

Então, é sobre isso. É sobre saber, é conhecer o meu bairro, é conhecer as pessoas.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Hanna.

Agora, Jaiane Estevam, professora da Escola José Lins do Rego.

A SRA. JAIANE ESTEVAM – Boa noite, comunidade. Está funcionando agora o microfone?

Saúdo a mesa e a todos os presentes. Muito bom ver caras conhecidas de pessoas que moram aqui. Saúdo todos vocês que estão aqui, principalmente os estudantes, que são muito mais interessados nessa causa do que muitos outros que vêm aqui falar.

E eu vou saudar também quem não está aqui porque tem uma quantidade enorme de pessoas do nosso território presa no trânsito agora. Está tudo parado na M’Boi Mirim, Ponte do Socorro, da ponte para lá não passa ninguém. Nós que estamos aqui estamos com a responsabilidade de representar o nosso povo, que, mais uma vez, está preso, enjaulado, sem poder ter voz aqui nesse momento. Então, estamos com essa missão e vamos levá-la até o fim, até a duplicação acontecer na nossa porta.

Outra denúncia: os estudantes da nossa região estão sendo cerceados de ter o direito à escola no período noturno. O Governo do Estado de São Paulo fechando as escolas no período noturno, os trabalhadores não conseguem chegar nos bairros e quem é do bairro não consegue ir para a escola no centro.

A periferia não está pedindo ônibus, duplicação, estação de metrô; está pedindo socorro. E chega. É de hoje em diante. Daqui nós não nos retiramos. Vamos, povo, até a vitória.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado.

Agora o Guilherme Coelho, Presidente do Conselho Gestor do CEU.

Em seguida, Nilda Neves, da Facesp.

O SR. GUILHERME COELHO – Muito boa noite, CEU Vila do Sol. Muito boa noite, ETEC aqui do CEU

Pessoal, gostaria primeiramente de parabenizar a mesa e saudar mesa. Gostaria de saudar todos os movimentos sociais que sempre estiveram envolvidos nessa luta da duplicação da M'Boi Mirim, porque nada disso estaria acontecendo hoje se não fosse a luta, se não fosse a mobilização e a resistência desse povo que sofre todos os dias com isso aqui na região.

Hoje vocês viram que saiu no jornal a notícia que o Prefeito mandou lá que vai ter o corredor de ônibus agora no canteiro central. Mas, pessoal, não vamos nos enganar. Tudo isso só vem acontecendo porque eles estão vendo o fruto da nossa mobilização aqui no território. Eles estão vendo todo o esforço que nós fazemos diariamente e todas as denúncias que nós fazemos aqui na região.

Eu queria aproveitar que está aqui o representante da Prefeitura, da Secretaria de Obras, para falar também do trecho que está sendo feito a obra, do trecho 3 ali do Vila Calu. Dizer que é uma vergonha. Que a gente já está há cinco meses vendo isso acontecer, mas a gente não vê nada de concreto. A gente só vê máquinas, a gente só vê terra sendo tirada de um lado para o outro, mas nada de concreto a gente vê. Então, eu queria aproveitar e pedir para que fosse apresentado o que de fato está sendo feito lá e qual é o planejamento, porque essa população exige isso. A população exige respeito e a população exige transparência.

E quero dizer também, pessoal, que está em peso aqui hoje o pessoal da juventude, que passa sufoco para chegar na escola. Quantas vezes perderam aula, já perderam provas por conta que ficaram presos no trânsito? Tiveram que vir andando duas horas nessa M’Boi Mirim e, mesmo assim, não chegaram a tempo. Quero dizer que essa juventude que vai resistir, que continua também resistindo e que vai estar presente no nosso ato no dia 08/05, lá em M’Boi Mirim.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Guilherme.

Agora é a Nilda Neves, da Facesp.

Em seguida, Sandro Bibi, Conselheiro de Habitação.

A SRA. NILDA NEVES – Boa noite, meu povo. É isso aí.

Nós estamos aqui hoje para dizer que, mais uma vez, o povo está resistindo e que nós lembramos muito bem de muitas e muitas reivindicações que nós já fizemos aqui nessa estrada do M'Boi Mirim para que a gente, hoje, tivesse um projeto.

Muitas e muitas propagandas a gente viu aí, muitos políticos se elegendo em cima de propaganda, né?

Queria parabenizar aqui a luta do Geraldo, o Jailson, a Regina, lutadores da região que merecem muita salva de palma. Porque são eles que estão segurando aqui e muitas vezes sendo ameaçados.

Parabenizo os vereadores e parlamentares que estão aqui hoje junto com o povo, porque são esses daqui que representam a nossa região, minha gente? Não são aqueles que vêm aqui buscar voto e vão embora não. E só pegam o voto do povo.

Onde está esse bendito desse corredor, essa bendita dessa duplicação do M'Boi Mirim? Quantas manifestações nós já fizemos aqui? Quantas? E, até hoje, nada, só propaganda. Onde está o recurso, gente? Vocês viram aqui que eles falaram que vai ter duplicação, mas não tem dinheiro para atender o povo que vai ficar sem casa. E o povo que vai ser removido? Onde está o dinheiro?

Essa cidade está construindo. Todo dia tem moradia, tem arranha-céu crescendo nessa cidade e não tem dinheiro para o povo construir? Não tem dinheiro para habitação?

Nós vamos ter que, no dia 8, fechar essa região e chamar os movimentos de moradia para a rua. Porque são os movimentos sociais que arrancaram esse projeto aqui que ainda está nas propagandas, minha gente?

Nós vamos ter que fazer muita mobilização e não tirar o pé da rua. Porque essa conquista, esse projeto é nosso. Não é de nenhuma família de político aqui que faz propaganda na região.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Nilda.

Agora é o Sandro Bibi, Conselheiro de Habitação e líder do Jardim Vera Cruz.

Em seguida o Rafael Lima, da Bancada Periférica.

O SR. SANDRO BIBI – Boa noite a todos.

Bom, eu não estou aqui para falar do que vai ser feito ou deixar de ser feito. Eu estou aqui para falar do que foi feito. Isso é visto ilegível. Eu falo do que foi feito. O que foi feito, tem que ser falado.

O que vai ser falado aqui por mim é o que foi feito aqui no Jardim Vera Cruz, temos 16 ruas sendo feitas, uma já feita. Então, temos 16 ruas sendo feitas na gestão do atual Prefeito. Mérito pelas ruas que está fazendo aqui. Então, eu falo do que está sendo feito e do que está mostrando, do que está sendo feito. Isso eu falo.

Porém, eu falo também de quantas ocupações nós temos dentro do Jardim Vera Cruz. Quantas ocupações nós temos dentro do Jardim Vera Cruz? Nós temos quatro ocupações. Então, com essas quatro ocupações, logicamente que os ônibus vão estar cheio, as UBSs vão estar cheias. O que precisa é recurso, recurso para dar suporte para a essa demanda.

Essa é a minha fala.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Sandro.

Agora é o Rafael Lima, da Bancada Periférica e Conselheiro-Gestor da Saúde.

Em seguida, José Alex de Araújo, do SOS Mobilidade.

Então, com a palavra Rafael.

O SR. RAFAEL LIMA – Boa noite a todos.

Tem gente dormindo aí ainda, boa noite. Legal.

Para nós é um prazer enorme receber todos aqui hoje, uma luta de anos à qual estamos participando.

Sou Rafael Lima, Secretário Adjunto no Conselho Participativo do M’Boi Mirim, Conselheiro de Saúde, Gestor de Saúde do Complexo do Jardim Vera Cruz, do Parque do M’Boi Mirim, participante da Bancada Periférica. É um enorme prazer integrar esse time. Com muito orgulho a gente faz isso e representa a voz de muitas pessoas da comunidade.

Pessoal, foi abordada uma pergunta e eu deixo uma pergunta em resposta. Falaram assim: “E o que vai acontecer com as peruas dos bairros menores? ”. Essas peruas, pessoal, hoje, mesmo as menores e as maiores, passam na M’Boi Mirim? Quando está travado a M’Boi Mirim, elas transitam? Então, quando o trânsito está travado, não vai ter carrinho e nem carrão, não é?

Então, obviamente, a duplicação com o corredor na faixa exclusiva no canteiro central, ele é primordial e se sobrepõe a qualquer outra necessidade periférica. Isso é primordial. Não há questionamento. Somente uma pessoa irracional alegaria algo nesse sentido no intuito de colocar um posicionamento.

Portanto, fica claro: o corredor no canteiro central é primordial para sanar as demandas da nossa população. Ponto final.

Segundo ponto, pessoal: queria deixar claro aqui estamos anos atrasados. Não é vitória nenhuma para nós, hoje, conseguirmos um corredor no canteiro central. Para nós, vitória é quando nós tivermos o metrô do Jardim Ângela, é quando nós tivermos o metrô no Jardim Vera Cruz. Isso é vitória.

E nós não vamos parar de brigar, de lutar enquanto esse povo não tiver a dignidade necessária, enquanto esse povo não tiver o respeito que merece. Nós não vamos parar e, dia 8, nós vamos estar na rua para lembrar o Prefeito de que aqui a população merece respeito.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado.

Agora José Alex Micael de Araújo, do SOS Mobilidade.

Em seguida, Roseli Josefa de Andrade, Lili.

O SR. JOSÉ ALEX MICAEL DE ARAÚJO – Primeiramente, eu queria dar um boa noite a todos, tanto da mesa como esse povo tão bonito que está aqui. Jovens, adultos, homens, mulheres, parabéns pela luta de vocês. Quero falar para vocês que, sem vocês, nada aconteceria e as coisas vão acontecer.

A M’Boi Mirim vai ter corredor sim, e isso já está definido aqui, entendeu?

Outra coisa: a gente está cansado, cansado de passar não é quatro horas dentro do ônibus não, são seis horas, três para ir e três para voltar para nossas casas. A gente está cansado de ser roubado no ponto de ônibus, de mulheres sendo abusadas dentro dos ônibus.

A gente está cansado sim, aqui está um povo cansado. Porém, um povo disposto a lutar por seus direitos, pessoal. Aqui estamos dispostos e, desde já, queremos convocar a todos – homens, mulheres, idosos, jovens, pessoas PCDs – para o dia 08 de maio, que terá uma grande reivindicação por nossos direitos, pessoal.

Vamos fazer direito aos nossos direitos. Quero deixar bem claro: eu não sou o cara que fica em cima do muro, não. Aqui eu não estou representando o lado A e nem B. Estou representando o povo. O povo e todo o seu contexto. Eu creio que o povo que segue o lado A precisa de corredor tanto quanto o povo do lado B.

Então todo mundo tinha que se unir em prol de uma só reivindicação, um só grito. Todos seremos vencedores. E já somos vencedores porque Ricardo Nunes não é o dono da verdade. Quem manda aqui é o povo. É o povo brasileiro.

- Manifestação na galeria.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Alex. Sra. Roseli Josefa de Andrade.

A SRA. ROSELI JOSEFA DE ANDRADE - Boa noite. Cumprimento a mesa. Desde já agradeço a cada um que está aqui.

Dia 17, quando eu estive na CPI junto com a Mobilidade, com 24 mulheres, eu fiquei muito feliz quando eu vi que a Prefeitura voltou atrás em alguns pontos. Qual foi o ponto principal? Onde ele tinha colocado, que era só faixa exclusiva, houve um pedido, muitos que acompanham a SP, há mais de 30 anos, nós tínhamos pedido a ciclovia. E aí o que aconteceu, eu trazia a moto, mas eu não trazia faixa para as pessoas que têm o direito de fazer pedalada. Com a nossa ciclofaixa seria mais fácil de chegar nos serviços.

Agora, já que o Zeca está aqui representando, eu quero saber quando vão ser as últimas desapropriações para o trecho 1, caminhar? Porque, é isso que está faltando nas baias. É difícil vocês entenderem que uma obra que foi feita há 50 anos não tenha nem infraestrutura embaixo. Eu acompanho ela todos os dias e cada vez que abre uma vala, nós encontramos esgoto. Tem que fazer toda uma infraestrutura de implantação com a Sabesp. É fácil criticar a gestão, mas quantas já passaram, como bem disseram os amigos. Agora é acreditarmos e fazermos com que aconteça e que essa gestão cumpra o papel que nós precisamos.

Eu, moro aqui há 40 anos, eu tenho um filho que faz faculdade e tenho que sair daqui cedo, porque o progresso não chegou de forma que chegou a construção na nossa região. E é de forma ordenada, porque se você fizer uma coisa bagunçada, você complica a vida de quem trabalha. Não é como antigamente, quando eu fazia protesto a empresa não te mandava embora. Hoje manda.

Então, vamos nos organizar. Visitem a obra. Não fiquem só na fala do outro. Eu visito ela. Eu sei o que está acontecendo com as desapropriações. Não é como antigamente que desapropriava para depois começar a construir. Agora desapropria, construindo. Eu estou lá dentro.

Agradeço a vocês e nós vamos continuar com a luta. Assim como eu dei o grito com Marcelo ali e com muitos pelo Jardim Ângela trazermos uma essência. Eu não parei. Não importa o lado, importa o povo. Nós estamos envelhecendo e a juventude que vem? Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado, Sra. Roseli. Sra. Suzete, Líder Comunitária do Jardim Ibirapuera.

A SRA. SUZETE - Boa noite a todos. Quero em primeiro lugar parabenizar a mesa. O pessoal da Subprefeitura, presente e, especialmente, os jovens. Esses jovens são muito guerreiros. Lutam, brigam mesmo. Agora, eu não posso me acovardar a deixar só meter o pau nessa gestão. Porque a outra gestão ficou tantos anos aí prometendo e não fez, e essa gestão prometendo, começou a cumprir. E em vez de querermos desconstruir o que está sendo construído, vamos nos unir, vamos cobrar.

- Manifestação na galeria.

A SRA SUZETE - Questão de ética. Respeitem a minha fala, porque eu respeitei a de todas. Ao invés de ficarmos querendo desconstruir, metendo o pau no Prefeito Ricardo Nunes, vamos apoiar o Sr. Prefeito, porque ele está fazendo por nós.

- Manifestação na galeria.

A SRA. SUZETE - Não adianta vaiar. Em vez de fazer isso, criticar, vamos apoiar e cobrar. É nosso direito cobrar da gestão. Vamos dar um crédito. Vamos acreditar. Eu trabalho na saúde, sou funcionária do SUS e olha como essa gestão melhorou e muito. Então em vez de criticar, vamos cobrar. Sim, mas com respeito.

- Manifestação na galeria.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Pessoal, pessoal, vamos deixar a Suzete terminar.

A SRA. SUZETE – Vocês são um bando de covardes. Ficam aí vaiando. Covardes. Porque não escutam. São um bando de metralhas. Um bando de filho da p*** que fica falando m**** aí. É isso mesmo. Estão me vaiando porquê? Eu estou xingando para você que está me xingando? Ela me xingou. Xingo, também. Eu apoio o Sr. Prefeito Ricardo Nunes e isso é fato.

- Manifestação na galeria.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO - Pessoal, pessoal, é o seguinte, pessoal. Nós vivemos em uma democracia. Nada de vaia. Deixa ela falar...

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Você completou Suzete?

A SRA. SUZETE – Era isso que eu queria dizer. Para fechar. Eu respeito a fala. Vocês estão certos de lutar. Agora, eu também estou certa de acreditar na gestão atual. Isso é fato.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado. Sr. Jaime, da Liderança Jardim Souza.

Pessoal, vamos ouvir agora o Sr. Jaime. Façam silêncio. Todo mundo tem o direito a fala. Audiência pública é para todo mundo falar e todo mundo ouvir. E depois tiraremos as conclusões.

O SR. JAIME -Boa noite, guerreiras. Boa noite, guerreiros. Boa noite a todo esse povo de luta. Eu, sou o Jaime. Sou da região há 50 anos, na M’Boi Mirim. Estou como Conselheiro de Saúde e com bom-senso, faço parte do membro da nação Corintiana.

Eu, queria reforçar a fala de um jovem que citou, até um pouco indignado: porque que a gente precisa de uma audiência para uma obra dessas, sendo algo tão visível, tão natural e com tanta obrigação de ser feita.

É gostoso ouvir um jovem falar isso para ver a preocupação, por que? Eu estou há 50 anos na região e tudo nessa região foi através luta. Tudo que nós conseguimos na M'Boi Mirim foi através de luta. Eu acredito que aqui deve estar presente a imagem do Padre Jaime. Ele deve estar aqui com a gente, porque todos nós lembramos de quanto esse homem foi referência para nós, para que M’Boi Miriam evoluísse, quando foi para sair o Hospital M’Boi, que hoje está aí, obra feita, todo mundo utiliza. É uma referência, mas quando foi para essa obra ser feita, nós fizemos um abraço do prédio para isso acontecer e o Padre Jaime foi a grande liderança.

Então, essa Estrada do M’Boi Mirim, não é de hoje que nós estamos nessa luta, da duplicação. Não tem lógica, duplicar a M’Boi Mirim sem fazer um corredor central e fica o alerta para as pessoas: Ah, nós estamos na periferia, mas nós queremos a cada dia uma periferia de qualidade. Não queremos ser vistos apenas como periféricos. Nós queremos ser vistos como cidadãos e cidadãs. Obrigado.

O SR. PRESIDENTE ( Nabil Bonduki ) – Obrigado. Eu vou passar a palavra aos componentes da mesa. Sra. Nathalia Boulos.

A SRA. NATALIA BOULOS – Salve, Salve zona Sul! Boa noite a todas e todos. Eu quero começar falando primeiro, como moradora da zona Sul. Eu moro há 38 anos no Campo Limpo e há, pelo menos,14 anos eu acompanho a luta da duplicação da M’Boi Mirim, a luta por saúde, a luta pelo metrô.

E quero começar dizendo o seguinte: Quem merece o apoio e uma salva de palmas, são vocês, porque, duas horas antes dessa audiência começar, o Prefeito Ricardo Nunes foi na televisão recuar e dizer que ia sim ter corredor. Disse que foi uma confusão. Isso é fruto da nossa luta, é fruto da nossa organização. Nós vivemos na cidade mais rica da América Latina. Não falta dinheiro, falta vergonha na cara e compromisso. É isso que falta: vergonha na cara e compromisso, porque em ano de eleição, eles foram lá na rua Armando Figueiredo, na casa da minha mãe - quem asfaltou foi a Marta Suplicy - foram lá abraçaram tudo, os filhos catarrentos, comendo em lata de goiabada, falaram que iam voltar e que ia melhorar. Nunca mais voltaram. Sabe quem melhora? A família deles. Os comparsas deles, os colegas deles. O povo está sempre esquecido.

Então, se hoje nós tivermos o compromisso e ainda bem que a Subprefeitura está presente e vendo a garra desse povo para levar o recado para o Prefeito, que não adianta vir aqui agora, na véspera da próxima eleição, dizer que em 48 meses, de novo, vai entregar uma obra, porque nós não vamos esquecer. Contem comigo.

Eu queria saudar o SOS Transporte, saudar o MST Vila Nova Palestina, movimento de onde eu vim, com muito orgulho.

Para encerrar, queria lembrar uma coisa. O projeto está muito bonito. Eu só não vi onde vão estar morando as pessoas que serão desapropriadas. Eu não vi nesse projeto, porque não adianta melhorar para uns e outros ficarem embaixo da ponte. Tem que ser, no mínimo, com uma indenização decente ou chave na mão, como o povo merece. Toda vez que chega uma melhoria na periferia sofremos. Aumenta o aluguel, somos despejados.

Então não venham com belos desenhos sem mostrar a obra completa. Espero que na próxima apresentem a moradia das pessoas que vão ter que ser desapropriadas.

Parabéns, sigam na luta. Contem comigo, e dia 8 eu vou estar de novo com vocês, reforçando a luta, porque é só luta que faz a nossa vitória. Estamos juntos.

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Chamo a Deputada Estadual, Sra. Ediane Maria.

A SRA. EDIANE MARIA - Muito obrigada, Nabil. Boa noite, zona Sul. Que coisa boa! Olha, gente, aqui tem uma imagem que nós esperamos seriamente que não seja uma imagem ilusória, porque Sr. Prefeito Ricardo Nunes, já cansamos das vendas de ilusões.

O reflexo da zona Sul de São Paulo, da M’Boi Mirim, da luta pelo metrô não é somente uma luta qualquer, é uma luta histórica do estado de São Paulo e do Brasil. Eu vi mulheres falando das vielas, dos abusos dentro do transporte público, ônibus que são reduzidos, vielas estreitas. Agora o Prefeito Ricardo Nunes traz esse projeto, todo mundo olha e fala: Ah, que coisa linda! A gente está cansado de ver projeto. Nós queremos ver a ação do Prefeito. Onde está o Prefeito que não veio sentar-se nessa mesa? Por que há 2 horas atrás ele vai lá e muda tudo? Será que ele vai mudar mais de uma vez essa conversando com os moradores de que serão removidos? Onde está a indenização? E o projeto da Habitação? Nós estamos falando disso. E a indenização para as mulheres que hoje estão sofrendo abuso dentro do transporte público? Onde está a indenização para as mulheres, para as crianças, para os idosos que têm que andar em vias escuras à noite, correndo risco de serem abusados e assaltados. Onde está a segurança pública?

Nós estamos falando de mobilidade, de habitação de qualidade. Quero saudar uma companheira Joelma, que fez uma fala muito linda e eu tive a honra, em 2024, de trazer para o Jardim Bananal, sabem o quê? Trazer CEP. Nem CEP tinha na comunidade, isso é uma vergonha. Isso é uma vergonha para o estado de São Paulo. Eles deveriam se envergonhar de ainda estar na cidade, com o maior orçamento do Brasil. Só perde para o estado de São Paulo e ainda não tem CEP em várias comunidades.

Quero saudar meus companheiros da ocupação Vila Nova Palestina, que resistem há 12 anos na M’Boi Mirim. Estou aqui hoje, primeiro, com vergonha, porque o Tarcísio, fala do metrô lá de Santos. O metrô que vai, não sei para onde. Que vai para PQP, mas não trouxe o metrô para M’Boi Mirim. Ou seja, será que ele está ruim de mobilidade? Mas se tratando de Tarciso de Freitas, todo mundo lembra que ele não sabia nem onde votava. Gente, imagina se ele não conhece o estado de São Paulo. Não conhece não é porque ele não quer. Na real, não conhece, porque não tem vergonha. É um homem que veio do Rio de Janeiro para destruir o estado de São Paulo.

A água melhorou aqui na zona Sul de São Paulo? A água não melhorou porque não é o interesse dele. O transporte público melhorou? Sabe porque não melhorou? Porque eles não andam de transporte público. Prefeito e Vereadores não andam de transporte público. Não há interesse. O Tarcísio não anda de transporte público. Ouvi a companheira falando que ele veio aqui em 2000, trá la la, trá la la mesmo Natalia - O tralaleiro tra la virou o vendedor de sonhos tralaleiro, porque veio aqui de helicóptero. Por que não veio de transporte público? Por que será? É até bom ele não ter chegado, viu, gente. Vir para mentir para vocês. Vocês querem que ele venha aqui mentir para vocês?

Então, gente, eu quero primeiro que vocês fiquem firmes. Quero saudar todos os movimentos que se organizam há mais de 30 anos, mais de 30 anos. Gente, é mau-caratismo. Isso tem um nome: mau-caratismo. Onde eles andam na Avenida Paulista está tudo lindo, na Faria Lima. Não estamos falando sobre isso. Não há um interesse. Na Faria Lima, não falta CEP, não falta duplicidade. Faria Lima não passa o corredor, sabe o dos ciclistas, não fala. Sabem por quê? Eles trabalham para quem já tem. Para quem não tem, inclusive a eu estava falando com a nossa Vereadora Renata, falou o seguinte: Eu estou feliz de ver o povo mobilizado. O nosso povo tem uma coisa chamada consciência.

Nós estamos de olho nos políticos, e que eles não venham esse ano prometer mais uma vez. Estamos cansados de promessas e que isso aqui não vire mais uma ilusão. Que seja uma realidade e que as famílias tenham dignidade. Porque eu vi várias mulheres falando aqui da violência, dos abusos que estão sofrendo na zona Sul de São Paulo. Que garanta dignidade e que o Sr. Ricardo Nunes com seus Vereadores - alguns são muito honestos, Nabil, Renata –queira saber da cidade, ande pela a cidade. Queira conhecer uma política de habitação, que precise de uma, porque vai ver que a política dele não serve e que somos nós, os movimentos sociais, que garantimos a luta no território. Garantimos a UPA, UBS, o transporte público e vamos lutar para que venha o metrô, a duplicidade da M’Boi Mirim. Viva a luta vocês. Vamos juntos. Essa luta é nossa.

O SR. PRSIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado....

Agora, há duas falas finais dos proponentes desta audiência pública. Então, vou passar a palavra para a Vereadora Renata Falzoni, uma das proponentes desta audiência pública junto a mim, que vai fazer uma apresentação. Depois disso, vamos encerrar a nossa audiência pública. Obrigado.

A SRA. RENATA FALZONI – Boa noite a todas e todos.

Quero parabenizar vocês, porque fazia muito tempo que eu não ia a uma região periférica da cidade com um pessoal tão antenado e sabendo tanto o que quer e por que quer. É povo pelo povo. Vocês estão de parabéns. E olha que eu rodo muito a cidade. Parabéns para vocês. (Palmas) Faz valer o nosso tempo.

Vou falar sobre tempo, pois a principal causa é a questão do tempo. Para resolver a mobilidade e o acesso, a mobilidade é acesso a todos os seus direitos. Não adianta você ter uma bela biblioteca lá, se você não consegue chegar a uma boa creche aqui, se você não vai a um bom hospital ali, se você não consegue chegar.

Então, a mobilidade é amálgama de todos os direitos dos cidadãos. Se você quiser fazer a solução do acesso na cidade, não há mistério. É o que falou a Aninha: é transporte coletivo de massa organizado, alimentado por passageiros que vão a pé e de bicicleta e fazer esse sistema trabalhar de forma isolada do congestionamento. Então, o que vocês pedem, que é o corredor de ônibus, não pedem, exigem, porque é direito, é a solução mais correta e concreta.

Vamos falar um pouquinho por que cheguei tarde aqui. Eu vim de ônibus – não ando de carro nesta cidade, somente de bicicleta e transporte coletivo, metrô e ônibus – e levei 4 horas para chegar aqui.

E mais: não tive nenhum problema de baldeação. Eu não fiquei esperando o ônibus na baldeação. Foi direto. E ainda vim sentada. Vejam que luxo, 4 horas sentada.

Agora, imaginem o seguinte: 4 horas para ir para o trabalho, 4 horas para voltar do trabalho. Sabe o que isso significa? Depois de 35 anos de trabalho – e trabalhamos muito mais para aposentar – vocês ficam 35 anos trabalhando, mas 35 anos entregando um tempo de graça para ter o seu direito de acesso à cidade, que não temos.

É sobre uma questão de tempo que estamos falando aqui. Isso é um absurdo. Quanto mais velho ficamos, mais damos valor ao tempo. Eu tenho 73 anos de idade e fico muito fula da vida quando perco tempo. Então, espero que vocês convertam essa indignação de vocês em cobrança de tempo.

Vamos falar um pouco sobre o que acontece aqui. Há 41 mil veículos cruzando a M’Boi Mirim e 300 ônibus por hora em horários de pico. São mais de 120 mil passageiros transportados por dia, em 19 linhas da SPTrans e 5 linhas da EMTU.

Vejam só o que estamos falando: são 41 mil veículos contra 300 ônibus por hora. Isso significa mais viagens, mais passageiros do que a Radial Leste de toda a zona Leste.

Quando se fala em transportes de massa e prioridades, fala-se na zona Leste. E vocês são completamente ignorados da necessidade de se resgatar o quê? Tempo. Falamos de eficiência de transporte, de passageiro e tudo mais. Mas aqui é uma questão de tempo.

Para falar sobre isso, gostaria de pedir para o Rafael fazer uma exposição sobre quatro linhas que ele estudou e o que significa, pela própria SPTrans, esse corredor implementado. É bom que vocês tenham dados, porque é muito importante ter indignação quando falamos, mas é mais importante ainda ter dados, ter como conversar e calar a boca dos opositores com informações. Vejam só esse estudo rápido.

Somente mais uma coisa que eu gostaria de falar com o Jailson: estivemos com o Secretário Monteiro e propusemos: “Se vocês não fizerem corredor de ônibus, vai dar B.O. É exatamente o B.O. que vocês estão propondo fazer depois de amanhã cedo. Vai dar B.O. Nós vamos parar e protestar, porque está errado, não foi o combinado”.

O nosso gabinete apresentou exatamente um projeto que ele falou em relação a haver um corredor central com parada à direita. Isso é uma coisa que foi desenvolvida no nosso mandato e estamos colocando.

Acho muito importante que isso parta para uma solução exequível para corredores de menor custo factível para a periferia, e que vai, sim, com um pouco de estudo, trabalhar muito bem com os micro-ônibus.

Eu sou arquiteta, mas venho de família de engenheiros. Engenharia é para trabalhar para o bem da população, e não fazer as presepadas que estão sendo feitas. (Palmas)

Por gentileza, Rafa.

O SR. RAFAEL DEL MONACO DRUMMOND FERREIRA Sou Rafael, boa noite a todas e todos.

- O orador passa a se referir a imagens exibidas na tela de projeção.

O SR. RAFAEL DEL MONACO DRUMMOND FERREIRA Somente complementando o que a Renata estava falando, há uma quantidade enorme de ônibus e de pessoas sendo transportadas pela estrada do M’Boi Mirim, fazendo conexões importantíssimas a partir desse território aqui. Não é a partir do terminal Jardim Ângela.

Essas são as quatro linhas que separamos para vocês identificarem, mais ou menos, quanto tempo vocês poderiam ganhar com o corredor de ônibus.

Na linha Terminal Santo Amaro-Terminal Jardim Jacira, vocês ganhariam aproximadamente 58%, coisa de mais ou menos 36% de diferença entre o que a SPTrans programa no horário de pico para o horário de não pico.

Na linha 6015, para a Vila Calú; ou na linha Terminal Capelinha; ou até mesmo na linha da Estação Santo Amaro-Guido Caloi são, mais ou menos, 40 a 42 minutos, entre 67 e 42% de melhoria e ganho na vida de vocês.

O principal argumento da Prefeitura para o corredor não existir, para haver aquela faixa exclusiva à direita é que os ônibus não caberiam, não haveria a possibilidade de os ônibus que são menores – o midi, o mini, os micro-ônibus – estarem no corredor à esquerda, com a porta à esquerda, porque eles não têm essa porta.

Porém, a cidade de São Paulo já tem um exemplo muito bom, que é o corredor da avenida Paes de Barros, em que há o corredor no canteiro central à esquerda, com a parada à direita e os midi-ônibus entram e param nesses pontos. Então, não é por falta de exemplo da cidade de São Paulo. Esse corredor foi feito em 1980, vai ser reformado, e vai ser mantida a mesma configuração, não vai ser modificada. Então, é possível haver isso também na estrada do M’Boi Mirim.

Mais alguns exemplos do midi-ônibus circulando no corredor. É como se ele tivesse que fazer uma curvinha à esquerda para poder entrar e ter o ponto à direita, mantendo o corredor no canteiro central.

Mais recentemente, a cidade de Ribeirão Preto conseguiu construir o mesmo modelo em 2022, então algo moderno e novo, mantendo um modelo que funciona. Então, não é necessário quebrarmos muito a cabeça, mas somente implementarmos o que já está sendo colocado em prática em outras cidades também.

A Prefeitura colocou que a M’Boi Mirim duplicada vai ter aproximadamente 33 metros de largura de uma casa para outra dos dois lados, que é o suficiente para que haja esse corredor no meio, com a parada à direita, com ciclovia, com calçada de no mínimo 1,80 metro de largura, quase 2 metros.

É possível, não estamos falando de nada impossível, podendo haver até mesmo a faixa azul entre os carros. Não é nada que estamos pedindo a mais do que já existe de projeto. É somente mesmo adequação necessária de priorização do transporte público para que as pessoas possam de fato se mover com qualidade.

Passo de novo para a Renata para ela finalizar a fala. Muito obrigado. (Palmas)

A SRA. RENATA FALZONI – Super, super obrigada. Agradeço sempre à minha equipe, porque eu estou Vereadora, mas estou Vereadora sempre apoiada com uma boa equipe focada em solução. Elencamos os problemas, mas buscamos a solução.

Mais uma vez, quero parabenizar a sinergia e força de vocês, porque isso daqui é um desenho ilusório – está escrito ilustrativo, mas é ilusório – isso daqui é fruto da pressão que vocês fizeram. Estou muito orgulhosa da turma da região Sul da cidade.

Muitíssimo obrigada para vocês. (Palmas)

O SR. PRESIDENTE (Nabil Bonduki) – Obrigado, Renata.

Bom, vamos encaminhando para o encerramento, mas precisamos dizer alguns encaminhamentos.

Eu queria fazer alguns comentários sobre a proposta, sobre a discussão, mas acho mais importante neste momento dizer o seguinte: em primeiro lugar, a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, que eu presido, vai dar continuidade a esse processo, ou seja, vamos fazer o acompanhamento.

Porque como muitos falaram, não adianta estar no papel; precisa estar na realidade. Então, vamos continuar. Dia 8, haverá uma manifestação, um ato que é muito importante, e a Comissão vai continuar acompanhando junto à Prefeitura para que isso saia do papel com alternativas como essa que a Renata acabou de apresentar, que viabiliza que os micro-ônibus possam também estar presentes dentro desse projeto sem haver interrupção do seu uso.

Quero dizer também o seguinte: não podemos somente pensar que daqui não sei quantos anos haverá um corredor de ônibus à esquerda. Nós temos que lutar para que os ônibus que existem hoje funcionem melhor do que estão funcionando. Não é possível existir uma situação como a de hoje, em que o ônibus demora 20, 30, 40 minutos para passar no ponto de ônibus.

É uma situação imediata que precisa ser pensada. Nós temos que cobrar a SPTrans para que não continue esse processo de distanciamento, de redução da frota, porque isso prejudica imediatamente. (Palmas)

Queremos uma coisa boa para o futuro, mas nós temos presente. Estamos aqui hoje, portanto, colocando uma questão fundamental, que é como melhorar a situação já. Isso é muito importante. Nós, como Comissão, vamos dar encaminhamento, porque essa luta por mobilidade é importante.

Não é admissível aquilo que ouvi hoje aqui: o tempo que as pessoas levam para chegar da sua casa até o ponto de ônibus; e do seu ponto de ônibus, no trânsito parado, para cruzar a ponte e chegar ao trabalho.

Quero também dizer o seguinte: não podemos tratar a questão de mobilidade separada de uma política de desenvolvimento econômico e urbano, ou seja, precisa haver emprego do lado de cada ponte. Precisa haver uma política de desenvolvimento econômico para essa região, para que ela gere emprego, para que as pessoas não precisem se deslocar por tantas distâncias para ir trabalhar.

Então, são questões estruturais de planejamento urbano que precisamos trabalhar em conjunto para que isso possa ser superado. Há um problema concreto: melhorar a mobilidade; mas a mobilidade somente vai melhorar se pensarmos isso de maneira integrada. É nisto que precisamos pensar: em um desenvolvimento integrado urbano, econômico e de mobilidade para a região.

Então, a Comissão vai continuar fazendo esse debate. A nossa Comissão é de trânsito e transporte, mas também de atividade econômica. E atividade econômica é do que as pessoas precisam para que possam trabalhar perto de onde moram, deslocar-se menos e poder, dessa maneira, viver melhor.

Ficou clara a importância do corredor de ônibus à esquerda, e não vamos deixar essa ideia voltar para trás. Vamos buscar as melhores soluções para que ela possa acontecer.

Queria finalizar a nossa audiência pública e agradecer a nossa assessoria da Comissão, que veio até aqui para viabilizar esta reunião. (Palmas)

Quero agradecer a presença de todos vocês e agradecer à Mesa toda, aos representantes dos movimentos e aos parlamentares.

Espero que possa haver outras oportunidades para fazer audiência pública aqui na região, aproximando, dessa maneira, a Câmara da população.

Muito obrigado. Vamos em frente pelo corredor de ônibus!